terça-feira, 15 de junho de 2010


Clube do Labirinto

Na escola Anjo da Guarda, toda sexta-feira, as crianças de até 8 anos podem participar de atividades labirínticas. O primeiro dia foi 28 de maio, e sexta passada, dia 11 de junho, foi o segundo. No primeiro ocupamos o espaço da sala de balé com 6 diferentes labirintos estendidos no chão, tijolos de espuma para a montagem das paredes, tabuleiros, labirintos táteis, etc. A idéia dos cantinhos é aplicada, só que os brinquedos são labirintos, por toda parte. Na última sexta levamos um grande labirinto que colocamos no Largo da Calma. Também levamos argila para a possibilidade de aprender a esculpir labirintos... Não fosse o frio intenso teria sido perfeito. Tivemos que desistir da argila para nos dedicarmos apenas às atividades corporais no grande labirinto, fazendo corridas cronometradas ou percursos cheios de movimentos e desafios.
Nesta sexta voltaremos para a sala. Vamos voltar para a idéia dos cantinhos, só que desta vez vai ter o cantinho para aprender a desenhar labirintos. Talvez isso antes da argila seja melhor.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Labirintemos!










na hora, quando eu sinto que dá, eu uso (ou sou usada?), e alguém vai lá e experimenta. pra que? não pergunte muito. apenas vá.
pode ser no reforço escolar ou na aula de violão.
bastou uma percorrida e uma explicada metafórica dos fatos pra o rapaz confiar em si.

e eu que acredito, e mesmo assim às vezes duvido, me dou conta, quando olho, pra história, do trabalho, o percurso, vejo o tanto, vejo o quanto, vale a pena labirintar.

labirintemos!




domingo, 30 de maio de 2010

Referências Bibliográficas

Estamos caminhando, nesse trabalho que chamo de pedagogia alternativa. Não há pressa. Há o desejo de realizar o trabalho da melhor forma possível. O coração na frente. As crianças não precisam de explicações teóricas e históricas sobre labirintos. Elas nem questionam. Elas brincam. Algumas entram e saem incansavelmente, felizes por rodopiar. Outras preferem montar e desmontar, sem parar, só pelo prazer circular. Brigas? Muito raro. Fica fácil colaborar. Reclamam quando é hora de guardar. "Que legal essa festa", um menino diz, durante a tarde labiríntica no Navratna Yoga. A bagunça, na escola, que não é bagunça, é de arrepiar. Não se vê passar. E todos prometem voltar. É exaustivo. Me alegra perceber os bons resultados, para além daquilo que sei, daquilo que estudei.

Descobrir este artefato, o labirinto, deve ser coisa de destino.
Trabalhar com as crianças deve ser uma minha missão.

"there is a meaning in every journey that is unknown to the traveler" (Dietrich Bonhoeffer)

Pra quem quer saber mais, coloco aqui vários links, de sites; e algumas referências bibliográficas. Enjoy!








- Walking a Sacred Path: Rediscovering the Labyrinth as a Spiritual Practice. Lauren Artress, 1995
- Origin, Symbolism, and Design of the Chartres Labyrinth. Robert Ferré, 2001.
- Pondering the Labyritnh: questions to pray on the path. Jil Kimberly Hartwell Geoffrion, 2003.
- Magical Paths: Labyritnhs and Mazes in the 21st Century. Jeff Saward, 2002.



There is no right way or wrong way to walk the labyrinth.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Labirintos e Yoga



Blog do Cláudio Ganesh. 
Nosso talentoso parceiro que trabalha com os labirintos nas aulas de yoga para crianças. 




terça-feira, 27 de abril de 2010

Pedagogia Alternativa

há peças artesanais indo pro forno
há o trabalho feito com amor
há o clube e a oficina
há o jardim de verena ali na esquina
há o grande parque e a grande praça
há o vizinho, a vizinha, enredos...
há mil idéias, cem modos e oitenta projetos!





O Labirinto é um mistério, uma nave, um passeio... 
Um trabalho de percepção sensorial que encanta adultos e crianças!


terça-feira, 20 de abril de 2010

O tambor de seda

In the ancient days there was a great lord who, feeling himself near to his ending, admonished his only daughter.
"The green of the plum tree has come and gone. Now is the time of blossoming. But still you have not chosen a husband. This and that suitors comes and goes but none is to your liking. Must I die and leave you unaccompanied?"
"Not so my father," said the Lady Yumiyo. "I shall cause to be fashioned a drum of silk - of silk stretched upon a bamboo frame. He who hears the note when my fingers strike it is the man whom I shall marry."
"This is foolishness," her father said. "A silken drum will make no sound. Alas, I shall never see a grandchild."
But the drum, nevertheless, was made. And many a one came to listen, head stretched foward, urgent to hear - some because of the ladys beauty, some for the readiness of her wit, some because was widely known that she would be well provided. And some for all three reasons.
But not a sound did anyone hear when she struck the drum with her hand.
"I told you so," her father said.
But the Lady Yumiyo said nothing. She merely went on striking the drum as the suitors came and went.
And then, one day, in the frame of the doorway, there appeared a well-set-up young man, richly appareled, keen of glance, with the air of one who had come a long way.
He made a deep bow to the old Lord and a lesson one to his daughter.
"From where do you come?" the father asked.
"From beyond the mountains and seas and valleys"
"And from what have you come, man from afar?"
"For your daughter, the Lady Yumiyo."
"She is for him who can hear the silk drum. Never tell that the sound has reached you, across the seas and mountains!"
"No sound of the drum has reached me, sir."
"Then why, stranger, linger here?"
"I have heard its silence," the young man said.
The Lady Yumiyo smiled at her father and put the silk drum aside. She no longer had any need of it.

                                                                                                                                             P. L. Travers

segunda-feira, 12 de abril de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Labirintos ou Dédalos?

em língua portuguesa, labirinto é entendido como dédalo
e labirinto mesmo é novidade
embora labirinto mesmo exista há mais de 2000 anos AC
na vasta literatura sobre o assunto a explicação é a seguinte:


Labyrinths or Mazes?


Mazes and Labyrinths - why are there two terms in popular use and just what is the difference between them? This is often the first question that journalists and curious newcomers to the field ask. Current literature and news reports frequently confound and confuse the two, but designers and owners alike are often passionate about which is which.


Look up the words in a dictionary and you will probably conclude that maze is a labyritnh and a labyrinth is a maze. Maybe you will find some mention of hedges, Minotaurs, or Hamptom Court. Before continuing, we need to define what constitutes a maze or a labyrinth, and why these two terms are used, often interchangeably, and what mkes up the real difference between them.


Throughout much of the non-English speaking world, pratically every maze mentioned in this book would be called a "labyrinth", for the word "maze" is a peculiarly English word of medieval origin that refers to a state of confusion, from which the term "amazed" is derived. To be confused, let alone amazed, there must be some element of choice in the pathway that you are following, some opportunity to become bewildered. Many current writers, designers, and comentators within the field have taken this as a point of definition:


To qualify as a maze, a design must have choices in the pathway.


This category includes most of the modern installations in tourist attractions and entertainments parks, which exist solely for the purpose of perplexing potential visitors.


But what are we to make of the earliest examples of the type known as hedge mazes? Many of these were planted to designs, then current, on the floors of cathedrals; they have but one path that leads inexorably from the entrance to the goal, albeit by the most complex and winding of routes. These designs were known at the time as "labyrinths" and were developments of simpler labyrinth designs that had been in existence for thousands of years. All have just the single path, however confusing it might seem. This has also been taken as a definition of this style:


To qualify as a labyrinth, a design should have but one path.


Of course, as in life, nothing is quite this simple. The dividing line between what constitutes a maze or a labyrinth can sometimes become blurred and difficult to define. 


Jeff Saward, 2002

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sig Lonegren says that...



"Labyrinths are really amazing tools. There are so many stories about them, and the mythology is rich and deep. They must have been very important to prehistoric cultures. They can be just as useful today in their help in keeping us open to our intuition. Enjoy."



terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

lindo desenho




criança é gente
que não finge
que sente
e tem gente 
que finge
que não vê
a criança 
que é gente
mas essa gente
que finge
também sente
que finge 
que sente



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ambiente acolhedor

na escola
no projeto
no presente
eu vou usando o labirinto
e de repente
eu sou usada, o labirinto
certamente
se movimenta, o labirinto
não é sempre
o mesmo, igual, o labirinto
e totalmente
nos muda mesmo, o labirinto
seguindo em frente
e na saída, o labirinto
juro que sente
é coisa viva, o labirinto
honestamente
se se transforma, o labirinto
ele é semente
é o labimundo, o labirinto
é terra, é mente
querendo um colo, o labirinto
é mãe da gente

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Chave


O labirinto é uma chave
Que abre o que o for pra abrir
Gabriel abriu quarta passada
Ele achou uma entrada





Mas que feliz o gatinho
e vinha mesmo de quatro





Era um menino do mato?

E o que será que a chave abre hoje?






Um post no blog
Uma sorte
Um entendimento

Labirintos são luas em lonas
Um portal nesse limbo humano
Repleto de erros e ódios e danos

A mesma chave que abre, fecha.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Design for young children




Percorrer com a família abre as janelas da alma
Faz tomar banho de rio com a própria mãe
Flores entram em casa e todos os seres ganham nova dimensão
Cresce a capacidade de imaginação
Um sentido de confiança cresce, feito planta na serra
Um medo que se acalma, alumiando a estrada
Labirinto é mãe e deusa. É uma linda casa.





quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

labirintos em casa

é do tamanho de um tapete.
é dupla face.
dois em um: labirintos.
na sala, na varanda, na biblioteca.
onde quer que caiba.
travessias...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Labirintos e autistas



"O autista foge ao relacionamento com pessoas, negando-lhe até mesmo o simples contato visual. Sua atenção é dirigida para objetos, especialmente os que podem ser movimentados indefinidamente, ou acionados repetitivamente". H. C. Miranda.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Instruções para brincar no labirinto



Feche os olhos e vá tateando...



labirintos de barro da minha amiga artista Adri




















Ou...


Percorra, sente, percorra, invente.

Percorra no tempo de uma música,

ou corra. Tente.

Se deixe, se eleve.

Deu vontade? Experimente.

No escuro, com laterna,

pode ser tabuleiro ou caverna.


ver quem faz o melhor tempo,

e concurso do mais lento.


seja o que for se jogue

o máximo que pode acontecer

é você chegar ao centro

e na pior das hipóteses você volta pra fora

se achar chato entrar pra dentro.




quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Labirintos criados pelas crianças




Depois de percorrer, brincar, montar, alucinar,
as crianças tentam desenhar seus próprios labirintos...









domingo, 22 de novembro de 2009

Sociologia dos Labirintos


é, conforme a escola é a música que toca
tribalistas...
mas a criançada sempre compensa o esforço
uma experiência única na vida de tanta gente
os velhinhos também percebem
utilizam sem julgamentos
sentem, feito as crianças

põe o coração na frente e agüenta
e carrega muita caixa pra lá e pra cá
um pequeno de 4 ou 5 anos
não queria parar de ajudar
seus pais felizes e orgulhosos
só olhavam o filhinho trabalhar

ah, se tivessem ajudado...
não numa escola onde nem criança pode se sujar



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

e se não tem caixa...



lá nessa terceira série
onde as crianças fazem: lição de matemática, lição de português e aula de música
no lugar do tangram: labirinto
todos iguais e todos diferentes








Esses LABIRINTOS abaixo é o desenho da menina Isabela. Curioso ela ter feito e refeito... Estava com dores de barriga. Fui saber disso porque ela precisou ir embora.








Sensacional!









O mais místico de todos!






Meninotauro!







Obrigada, crianças!



domingo, 8 de novembro de 2009

Sacrifício




Direto de Chartres veio o labirinto de vidro

Na sala do Clube o vento o transformou em caquinhos

Na semana em que o vidro cortou-me a mão direita

Limpeza, aviso ou sacrifício?



Labyrinth from Above

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gestação



terá sido tudo isso a fecundação?

nem faz tanto tempo assim e já parece que foi há dois anos

só que só hoje descobri que estou grávida

uma fertilidade no útero do coração

é tudo a mesma coisa: céu e chão

e portanto, não há limites! Me dizem os astros

a caminhada prossegue e agradeço

estar viva não tem preço

nascer é só o começo







sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Terminar é Começar

É preciso escrever o último post sobre a primeira experiência.
Quando uma história termina outra já começa no lugar.
Lá, naquela escola tão acolhedora
tantos Joãos, Fábios, Arturs, Mateuses, Gabis, Caios, Dudas, Saras, Luízas, Gabrielas...
Todos fáceis de amar
E a Gleyce!
O Ronaldo...
A Denise e o Osmar!
Nessa escola o labirinto morava
ficava ali
como que pronto pra pôr pra rodar
E foi no último dia a experiência intencional: aula de labirinto
(tá, tudo era aula de labirinto)
a turma percorre a lona
combina a tarefa
monta e brinca
destrói e guarda
e percorre na lona de novo
e vai pra sala calminha, calminha...
atividade coletiva que exige muita participação
de todos
muita colaboração
às vezes a colaboração surge até daquele
que só passava por ali
ninguém resiste
E foi no último dia que a minha amiga artista professora de marcenaria aproveitou pra usar
E depois acabou por se envolver e também a ajudar
A cada momento um novo contexto
uma nova forma
um recomeçar
Crianças sem sofrimento
se ajudando
que bonito
que gostoso de olhar
E a mocinha da sexta série:
"Ah, sério que vai acabar?"
"Ah, mas é tão legal."
Ficaram querendo mais
Não deu tempo de cansar


Puxa, mas lembro que briguei com dois impertinentes
e depois me arrependi
eu podia ter caminhado com eles
na calma, na santa paz, no amor
crianças não podem conseguir me aviltar
seja no começo ou no final
paciência é minha nascente
é cachoeira abundante
enxurrada pra umedecer
e amaciar

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cartão vermelho! Se precisar...

De manhã, tudo em ordem. Osmar usou e deixou tudo empilhado de novo. Ele vai me relatar o que fez. E vai pedir pras crianças dizerem o que acharam também. Eis que no recreio a 5a e a 6a série, de novo, clientes cativos, decidem que querem montar. Em minutos, tudo pronto. E ainda têm tempo de brincar.

Depois disso a molecada mais nova chega correndo pra usar. Tento fazer um rodízio, 7 em 7, impossível. O recreio é muito curto. Dá peninha. Não vai dar. Acabo liberando tudo, e aí não tem jeito, acaba o recreio e um monte de caixa está fora do lugar. Não faz mal, vou lá, arrumo. Every activity is devotion. E o abraço que recebo do Léo é desses de recarregar. "Que quentinho o seu abraço", ele diz ao me apertar. E o desenho da menina fofucha, "olha só, Fabi, sou eu, você e o labirinto ao luar".

A chuva começa bem no recreio dos da oitava. E junta um bando de piá grandão pra entrar e zonear. Tento dar algum limite. É difícil controlar. Pára a chuva, fica uns três. Até que ajeitam o lugar. Quando chego pra jornada vespertina tá tudo de perna pro ar. Sem falar na melecada de umas caixas que se molham. Coitadinhas... Estão firmes lá comigo. Umas já começam a se debulhar. O que tenho a fazer? Arrumar, arrumar... Imagine se no recreio não vem um monte de criança me ajudar. A molecada adora! Carregar! Carregar! Empilhar! Empilhar! Todos podem ajudar! Que alegria arrastar umas quatro de uma vez. Que delícia arremessar bem no alto da pilha de 5 andares, onde é difícil de alcançar. Se alguém quer ficar de furdunço, ali no meio, pra chutar e atrapalhar; tá expulso! O cartão é vermelho! Pra quem não quer colaborar. E a brincadeira é tão boa que mesmo os mais terríveis se esforçam pra se comportar. E participam com todo sentimento, uma energia que há. E ainda dá tempo de correr na lona, antes de voltar pra sala. Corrida cronometrada, um de cada vez, que é pra gastar mais, que é pra explodir! E a brincadeira irradia, e continua no outro recreio, ida e volta, melhor tempo, 38 segundos! Uau! Eles se imbuem, fazem fila. Tem até professora que participa, e vai bem! Se você visse a cara deles no final do desafio, bem na hora que eles saem lá de dentro do corrupio... No entanto, a Duda fica por último, e quer participar. Entra e inventa outro jeito: "Fabi, vou beeeem devagar". Vai dançando, sibilando, flutuando pelas curvas. Que menininha sapeca. Uma doçura.

Finalmente o Ronaldo, meu super ajudante, percorreu pra ganhar umas uvas, que deixei lá no centro pra ele pegar. E a Sally, minha quebra-galhos, também teve a sua vez. Lindo foi caminhar com a Isadora no colo. Aí veio aquela turma bem grandona do jardim. Todos queriam muito, e montaram, e brincaram, e correram, e aproveitaram, e destruíram, desmontaram, e empilharam no fim. Teve dois expulsos que ganharam a chance de voltar (e eram outras crianças, era o dobro de ajudar). E a menina que canta: "Vamos trá-balhaaar, vamos trá-balhaaar". Sabe que agora me lembro, que até começamos com dados, cada um, pra montar, joga e pega o tanto de caixa que saiu. Mas no andar da carruagem, os dados? Ninguém mais viu...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Juntando forças

Depois de tantos acontecimentos me ocorre um esgotamento. A tarde de ontem foi sacrificante. Ainda mais sozinha. Fiquei só no recreio e mesmo sem toda disposição coisas legais acontecem. "Eu sempre empurro mesmo", me disse o Caio. E reiterou: "Eu não consigo não empurrar". A conversa com ele foi boa depois disso.

A manhã de hoje foi boa demais de novo. A oitava, pela primeira vez, aproveitou a torre de caixas deixada antes pelos pequenos para montar. Estava ficando incrível o modelo de montagem deles. Por serem altos, estavam fazendo um centro imensamente gigante. Mas no final de tudo, antes de voltarem para a sala, destruíram e quase que deixam-se ser crianças.

Volto à tarde e está tudo simplesmente no lugar. Caixas minuciosamente empilhadas e lona estendida à disposição. Foi o Osmar, e a outra 4a série que ele levou lá, na última aula da manhã!

Aproveito e dou aulas de música no labirinto-lona, que ficou interditado em um dos recreios para isso. E que frustração, as crianças, que chegam e não podem brincar! Foi depois da aula do JdII que eu liberei pro recreio de novo, e fiz o sorteio que tanto esperavam, as meninas. Depois ficam brincando na lona mesmo e tem até um menino tentando fazer o percurso andando de perna de pau. Então já tá na hora de pegar a 2a série e depois tem mais uma 2a série, cada turma 45 minutos. O desafio que proponho é conseguirem sair do centro e voltar para o centro no tempo da uma música. Organiza de um jeito, tenta de outro e no final, tudo dá certo só que uma coisa dá mais certo do que outra, e é isso que eu vou descobrindo. Estou sem voz mas não posso parar. Isso tá de arrebentar. Primeiro em equipes, depois turma inteira, ou então com alguém no comando da brincadeira. No labirinto, quando todos colaboram, a brincadeira flui e o tempo voa. Colaboração é a chave. Isso é bom de enfatizar. Crianças aprendem na prática uma coisa que sempre vão precisar.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vórtice

O dia começou cedo. Prática de ioga antes de labirintar. Quando cheguei o Luca o Gil já estavam lá. O Luca porque é parceiro e investidor do projeto. O Gil porque é amigo e cineasta que foi pra conhecer e filmar um pouco. Decidi colocar duas idéias em prática aproveitando que o labirinto estava montado. Caminhar equilibrando algo na cabeça (pedra, rolo de fita crepe, concha...), e caminhar de olhos vendados junto com um amigo-guia. A idéia empolgou e funcionou. E mesmo com os menores, mudando um pouquinho a dinâmica e o modo de organizar, deu tudo certo e todo mundo gostou de brincar. No final destruição! Era caixa pra tudo que é lado. E uma satisfação. Nesse calor, só o labirinto na piscina podia ser ainda mais gostoso!

E visitas. Hoje foi o dia das visitas. A Gi trouxe meu sobrinho, que aproveitou o máximo que pôde, entre o monta e o desmonta do lugar. A gente caminhou junto, eu de olhos vendados na entrada e ele na saída. Que amor seu jeito de me guiar. Começou indo atrás de mim, falando vai pra esquerda, pra direita, foi muito, volta pra cá. Depois inventou um esquema puxando a minha camiseta e prefiriu passar na minha frente pra me puxar. Na saída usei sua última técnica, porque foi a melhor. Tanto que fizemos o percurso bem mais rápido.

Também teve o Ricardo (que ficou tonto, e me ensinou que sair não é voltar); a Mônica, a Priscila... E a tia Vera, que é a dona da escola, que já estivera ali muitas vezes mas, hoje, especialmente, não cansou de ir lá olhar. Mas ainda não a vi labirintar.

Teve a turma da quarta série. Eles precisavam passar por ali, com a professora, e adoraram ajudar e terminar de empilhar as caixas do desmoronamento ocorrido minutos antes, no recreio. Por eles ficavam ali. E na turma deles estava o Fábio, um dos alunos especiais que depois voltou com mais três especiais pra usar o mágico lugar. Um deles era o João, cativo. O Mateus e o Artur ainda não tinham ido lá, foi a primeira vez dos dois. O labirinto estava semi-montado, faltava terminar. Depois de conversarmos um pouco labirintando com o dedo, e da gente se apresentar e se abraçar, propomos percurso de reconhecimento e depois ajuda pra montar. Até as visitas colaboraram, e era caixa pra lá e pra cá de novo. Criação. E já que tá pronto de novo, saíram todos para que os meninos pudessem de novo caminhar.

E cada coisa em seu lugar. Tudo se deu na hora de desenrolar. Concatenamento de eventos sem ninguém nenhum nada zero planejar. O currículo do caos to botando pra funcionar. Meu coração se aperta e no banheiro choro, sem ninguém olhar. Que força tem esse labirinto. Que fortaleza esse lugar. Campo magnético, energético. Um vórtice. Um sistema solar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Professora de Labirintos

Chego, estendo a lona, e vou buscar as canetinhas na sala do jardim. Quando eu volto o João e a sua acompanhante estão fazendo o percurso. Quero registrar tudo. Labirinto é inclusão. Percorrer o caminho, chegar ao centro e sair. A tarefa é essa. E o João faz direitinho. Depois, no recreio, é ele quem joga as caixas para o amigo que está no meio, montando. Enquanto ele não pega a última caixa da pilha ele não sossega.

Bem, entre João e recreio resolvo dar uma geral, e varrer a lona-labirinto. Antes que eu consiga terminar a faxina chegam as meninas e meninos da quinta e da sexta série. Estão querendo montar e deixo. "Comecem pelo meio que já varri!" Meu trabalho então é filmar. Circuito novo criado. Os pequenos vão adorar. Depois jardim dois e o Ronaldo ajudam a desmontar. E depois disso mais três meninos grandes chegam e querem ajudar. Vamos deixar só a lona de novo, pra quarta série usar na aula de educação física do Professor Osmar. Sugerimos a corrida, no entanto, o que querem é montar. Então pronto. Um circuito de obstáculos. Em grupos a competição alucina. De tanta alegria, as crianças, parecem que vão estourar. São tantas idéias que surgem! Isso sem falar naquelas que ainda nem deu pra usar...

À tarde, recomeço. Crianças pra lá e pra cá. E as caixas decoradas já começam a enfeitar. Ficam curiosos e também querem fazer. Em duplas levam caixas pra Gleyce poder ajudar. Ela é da marcenaria e está adorando ajudar. Dou uma boa ajeitada quando as crianças não mais estão lá. Arrumo bem pro maternal poder usar de novo. Pra eles o labirinto é gigante. E vão que vão sem cortar caminho. Contenção, atenção, percepção visual, colaboração, respeito, movimento, autonomia, artes, alegria, diversão e sabe-se lá o que mais. Tudo isso é trabalhado sem a gente forçar. Primeiro os pitocos entram, chegam e sentam pra voltar. Voltam e na saída correm feito loucos num rodopiar. Tem qualquer coisa que brilha.

E a pergunta do dia que fazem, uns dois ou três quando por ali passam: "todo dia muda esse labirinto?". Depois perguntam também "agora você não é mais professora, fabi?" "agora você só fica aqui?" Sou professora de labirintos. Trabalho igual nunca vi.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

deixa a gente brincar lá?

Mal cheguei pela manhã, na salinha do jardim, o menino que me vê, quer saber se pode ir. Isso atiça o amigo dele, e digo claro, levo sim; peça lá pra professora, tá tudo bem por mim. Eles vão e se divertem. Montam e arrumam pra mim. E nesse fluir de coisas, o labirinto vai virando outra coisa de novo. Transformação é a lei. Virou um circuito de obstáculos. Túneis, paredes bem altas e outras bem baixas; trecho de pular e também pra desviar. O caminho, não pode cortar! Esse é o jogo do dia. Que alegria. Não tem idade. É para todos. E todos querem. E não há quem não pergunte se a gente volta na segunda.

aula de labirinto

no recreio brinca brinca bagunça desmonta
na tarde 27 é a vez da primeira turma do jd 2
percurso é na lona comigo
fazemos uma roda no centro
combinamos a atividade: montar o labirinto
em poucos minutos a construção tá pronta
já tem criança correndo
derrubando a caixa que acabou de colocar
já tem professora brigando
e dizendo:
ah, assim não vai dar!
bagunça boa
todo mundo no centro
é lá que a gente vai se encontrar
Eduardo, é pra cá!
vem Eduardo!
não, por aí você sai
volta, isso!
que maluquice alegre
todo mundo quer voar
quando é hora de partirem
o que querem é ficar
tem criança que até fala:
eu queria aqui morar